O amor desta tarde que arrefeceu
as mãos e os olhos que te dei amor
exacto vivo desenhando o fogo
que eu próprio queimei amor
que destruiu a fria arquitectura
desta tarde
as mãos e os olhos que te dei amor
exacto vivo desenhando o fogo
que eu próprio queimei amor
que destruiu a fria arquitectura
desta tarde
Eu renasço para o mundo quando
te abraço e tu pousas a tua cabeça
no meu peito
Sinto - me leve e consigo
flutuar no perfume suave
do teu corpo macio como
se tivessem criado a mais pura
flor
ès o caminho que me eleva
ao paraíso invulgar e as raridades
de ciclos que comandam as espécies
em vias de extinção
Ès a mais bela da vida e não preciso
de sair deste lugar para perceber isso
nada irei encontrar fora de ti mais
precioso do que esse teu coração
que bate dentro de ti
num olhar de lua cheia e no silêncio da
neblina matinal que me devolvam a
palavra julgo que a paz è isso devolverem -
- me as palavras num silêncio nunca me
faltem palavras nem silêncios não preciso
de um para sempre preciso de um infinito num
num momento
quando sorris não importa
onde o meu coração bate
mais feliz encontro a paz
e levito na simbiose do mundo
que se enraíza no teu sorriso
as batidas controladas por ti
tu me envolves as batidas controladas
por ti
ver te sorrir em silêncio e no
sabor do vento não querer chegar
ao fim do destino è querer ampliar
os acordes desta melodia em que tu me
envolves num doce caminho de búzios
que nasceram no mar o teu sorriso è o
próprio mar a envolver - me
a pela a molhar - me a saliva è o infinito
que alcanço na leve bruma da manhã que nasce
no teu olhar respiro porque posso ver esse olhar
a inundar - me a visão de cor e amor e eu renasço
para o mundo
as palavras num silêncio
que nunca me faltem palavras nem silêncios
não preciso de um para sempre
preciso do infinito num momento
aflora da vida
sinto a apertar - me o coração
a percorre - lo
dos que aconchegam o seu coração
ao meu
Sinto a pureza de uma alma
Sem precisar de ver a sua
cor e gosto de tocar abraçado
naquela esperança que me
alimenta o verbo e me faz
alcançar a lua
Quando escrevo è mais do
que uma vontade è uma
necessidade de elevar as
palavras para que o vento
as leve ao seu destinatário
Para que as palavras não criem
redemoinhos no meu cérebro
e me embrulhem o estômago
Caminho com passos firmes
com a estrada a mendigar - me
segurança e leveza para que
o mais injusto dos princípios
seja composto de flores e algodão
recebo de coração aberto ao toque
dos que aconchegam o seu coração
ao meu
o mundo vivo com essa necessidade
dentro de mim e isso faz com que cada
dia que passa à minha essência seja
a verdade que as vezes màgoa
não consigo fingir que algo
não tocou o meu coração ou que
não teve nenhuma importância
para mim
Se sorrio è porque algo tocou
o meu coração
e não porque o molde dos meus
lábios me foram impostos
acredito piamente que existe
um lugar onde o viver è mais
do que esta luta aguerrida
de tentar subir degraus na esperança
de alcançar a igualdade
que nos faz sonhar e voar
e por ele mudar o rumo
da nossa vida !
sou fresco como a água
que mata a sede mas è escuro
para là chegar
nasci num mundo pequeno
onde o que tu ès depende
do que possuis
e não do coração que bate
dentro de ti
cheio de vontade de te abraçar sem braços ter
para te possuir
ter asas não voar
ter - te sempre a sorrir
viajar sem destino contigo
ao meu lado ver - te
e nascer um menino ( a )
fruto de um amor descansado
è que amar - te è viver e viver
è sofrer
sofrer è querer - te ter
e ter - te è um prazer
In - verso
beijo - te por necessidade
os teus lábios arrepiam - me
a minha sombra fala por mim
respiro o teu perfume doce
ardente e suave do teu corpo
ternurento
de uma noite de inverno
navegas no meu pensamento
o AMOR È SENTIR
o coração a bater tão fortemente
tão perto da palma da mão
è olhar bem fundo e sentir
sentir bater fortemente o coração
num sentimento profundo
è subir ao monte e junto
ao céu beijar o horizonte
abraçar a paisagem e ver
a luz intensa do dia a escurecer
na boca do marinheiro
do frágil barco veleiro
morrendo a canção màgoada
diz o pungir do desejo dos lábios
a queimar de beijos que beija o ar
e mais nada
que terra è esta este mar
que sò acaba nos céus
ou nem là tem o seu
fim ...
ou hei - de eu acabar
querendo Deus ou ele
acabar em mim ...
Mãe adeus ! adeus Maria !
guarda bem o seu sentido
que daqui te faço uma jura
ou eu te levo a sacristia ou
foi Deus servido dar - me
mar a sepultura
a noite repete - se
a tristeza abafa
o medo de possuir
demónios
na veia enrosca
em forma de torpedo
no riacho da tua cela
o estômago da rivalidade
abrindo fogo com a arma
da necessidade que berra
de tal onda viciada
o esqueleto cravado
em terra da morte
esquecida no presente
desfolha a necessidade
que berra na terra
là para os países do Oriente
não há desgraça que perdura
que permaneça solitária
aumentando o registo
começa de forma solitária
e acaba transformada em
realidade
abrigas no abrigo esperado
olhos de sereia luzindo
ao amado sol
a mais próspera boleia
rebolo no teu corpo na tua
pele doce e macia
e na tua humildade saboreio
um clima ameno
Eu no rosto da vida
sufocado pela timidez
saem frases perdidas
no encher das marés
o vazio da lua cheia
debruça - se nos meus
braços corre - me nas veias
em forma de traços
seguro as pernas de pè
para tentar não ir abaixo
o que não è realidade que não
encaixa
a minha forma de estar
não è igual a minha maneira
de ser
o que o olhar transmito nem sempre
è aquilo que eu queria ver
no olhar as pétalas que murcham
no meu coração sofrem de angùstia
no meu entender respiram espasmos
de ilusão com medo de morrer !
lìngua da fala
lìngua recebida
lábio a lábio
beijo ou saliva
clara leve limpa
lìngua da água da terra
da cal
materna casa da alegria
e da màgoa dança do sol
e do sal l`ngua em que
falo e escrevo
são três quatro palavras
que te quero confiar
para que não se extingam
palavras que tanto amei
e talvez ainda as ame
são casa o sal da lìngua
um areal deserto que nem casa fosse
sò um lugar onde o lume foi aceso
e a sua volta se sentou a alegria
e aqueceu as mãos e partiu
porque tina um destino
coisa simples e pouca
mas destino
crescer como uma árvore
resistir com ao vento
ao rigor da invernia e certa
manhã sentir os passos de
Abril ou quem sabe a
dos ramos secos que pareciam
de novo estremecem com o
repentino canto da cotovia
não temos outro país não temos outro céu
com a boca com os olhos com os dedos
procuro tocar a terra do teu c0oração
outra vez
se for silencio sò o que te chega
aos ouvidos è musica ainda tenta
uma vez mais levantar a mão
atè ao abafo da primavera
estrela
impetuoso è o teu corpo
como um rio onde o meu
corpo se perde
se escuto sò oiço um rumor
de mim o sinal breve
imagens dos gestos que
tracei e sustentavam os meus
dias mas agora estão tão ariscas
contigo
dà - he o meu cabelo
para o sonho tecer
a màgoa infinita das raìzes que
no corpo um dia hão - de beber
quer amar - te e volta
revolto a navegar nessas
palavras em voltas das sílabas
encontradas a tua boca a cantar
a tua doçura reflectida nos espelhos
das limpidaqs àguas do mar
porque a colmeia
procriou no teu
jardim
a luz na sombra
serei sempre o som
serás sempre a luz
junto a tal flor
nos olhos e sentir embebido
no luar e ter prazer repleto
tu ès a vida que eu
queria ter
enrolo na areia do deserto
e faço tudo com calma
seco - me com o sol do
inverno estendo - me
na areia
menos agora provavelmente fartaram - se
das rédeas não me perdoam a mão rigorosa
a indiferença pelo fogo de artificio
com elas fazia o lume
não se pode mudar de luz de luz
como quem muda de camisa
o meu paìs è onde a pedra
acesa do mar ilumina as veredas
do coração e a cal escorre dos muros
e dos troncos das oliveiras atè ao chão
junto a tal flor
há silencios no teu olhar
magia se calhar
e um suave encanto
inebria
mas tambèm há mistérios
um espanto que me faz
parar
e me impede de aproximar
mas destino
crescer como árvore
resistir ao rigor da invernia
e certa manhã sentir os passos
de abril
imensas carregadas de sono
o lugar da casa uma casa que nem
casa fosse um areal deserto sò um
lugar onde o lume foi aceso e a
sua volta sentou -se
a alegria e aqueceu as mãos
e partiu
porque tinha um destino
ali o mar as palmeiras
o pão a mesa
o gesto sempre igual
da luz
o mesmo olhar da ave
existe uma certa harmonia
entre a luz e o mar
a mesma provavelmente
entre a palmeira e o mar
o leite e o pão e com a palavra
o seu voo em prumo com a palavra
qual è a relação
onde olhares secretos se cruzam
no silencio distante entre o ocidente
e o oriente mulher sensual maquilhando
seus olhos em plena multidão ausente
fechada em si mesma no ocidente dentro
do seu próprio oriente
saudade sem sociedade
inertes no seu egoísmo
de honres no seu ego
fechados nos seus fantasmas
que s si própria assusta e a
teme sem fazer tremer de amor
na frieza do ser uno universal
fecundo - te de seiva e de calor
alago - te o corpo pelos areais
onde o mar se espairecera
sem contornos e cor põe - te
sonho onde havia apenas silêncio
de novas rosas por abrir e um jeito
nas tuas mãos de quem sabe que
o futuro há - de surgir brotou água
onde tudo era mais escuro paz
onde morava a solidão e a certeza
de que a sepultura è uma cova
onde não cabe o coração
quem foi que despenteou os teus cabelos ò minha amada ? que cálido odor ou ventos erectos dos teus seios os bicos roxos ? com que sopro ? em...